Paulinho Boca de Cantor e Baby mostram, uma vez mais, a mistura de afoxé, bossa, frevo e rock |
Edson Rossi
Direto de Salvador
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No desfile pelo circuito Barra-Ondina, em que comemoraram os 40 anos de trajetória, foram seguidos por não mais de 100 pessoas, ainda sob a luz da tarde do domingo baiano. Nada se comparadas às 7 mil que chegam a sair atrás do Chiclete com Banana. Não havia (nem era preciso) "cordeiros" para separar quem paga 800 reais por um abadá da massa que vai de graça do lado de fora da corda, no empurra-empurra conhecido por pipoca.
Sem Moraes Moreira, que se recusou a celebrar a data redonda com os velhos companheiros, mas com Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes, o caminhão despojado do glamour dos trios de sucesso fez transpirar a história de uma turma que misturou afoxé, bossa, frevo, rock e o que mais aparecesse no liquidificador e transformasse tudo em discos antológicos dos anos 70.
Velhos clássicos do grupo e estocadas de rock marcadas pelo velho pandeiro embalaram a acelerada passada do trio, sem tempo para recordar o passado. Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade, uma senhora de 57 anos conhecida por Baby, Baby do Brasil e Baby Consuelo, agora evangélica, não deixou por menos, e chiou, como sempre, quando passou em frente ao estúdio do Terra. "Dizem que vamos levar uma multa porque paramos para tocar na frente de um camarote de TV. Merecemos parar e ter o reconhecimento, não? Se quiserem nos multar vamos à justiça, vamos brigar para não pagar", gritou, seguida de alguns urros vindos da rua. "Está amarrado por Jesus."
E lá se foram os Novos Baianos em direção à Ondina, seguidos por seus reduzidos fiéis. Passar pela avenida para eles pareceu uma concessão, pareceu um favor. O tempo, para os Novos baianos, passou.
Redação Terra