Após Carnaval, musas fazem planos para fantasias

04 de março de 2009 • 15h38 • atualizado às 15h57
A rainha de bateria Viviane Araújo guardará a fantasia do Carnaval deste ano de recordação
A rainha de bateria Viviane Araújo guardará a fantasia do Carnaval deste ano de recordação
04 de março de 2009
Márcio Nunes/Photo Rio News

Mariana Lanza




Penas de faisão tingidas nas mais diversas cores e cristais swarovski escolhidos a dedo compõem a maioria das fantasias de rainhas de bateria das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Todo cuidado é pouco na hora de elaborar os trajes que as musas desfilarão nos sambódromos. Devido à tamanha dedicação, algumas carnavalescas preferem não se desfazer das roupas após a folia, principalmente se elas tiverem um significado a mais.

Viviane Araújo, da Acadêmicos do Salgueiro, conquistou o público e os jurados com sua performance na Marquês de Sapucaí. A apresentação da dançarina e dos demais componentes da agremiação chamou tanto a atenção que resultou no título do Carnaval. Emocionada com a conquista, ela diz que quer ter para sempre uma recordação da apresentação. "Essa fantasia foi campeã, então, não vou me desfazer não", exclama.

Rainha de bateria da escola carioca pelo segundo ano consecutivo e há cinco anos à frente dos ritmistas da Mancha Verde, de São Paulo, a dançarina costuma guardar suas fantasias pelo menos até fevereiro do ano seguinte. "Geralmente eu guardo porque tem as gravações das vinhetas de Carnaval. Depois dá para aproveitar somente as penas, mas os cristais não, porque eles perdem o brilho", afirma. Neste ano, Viviane diz que investiu cerca de R$ 25 mil nas duas fantasias, ambas elaboradas por Guilherme Alves.

Para manter as fantasias em condições de uso, ela coloca as penas em sacolas plásticas e os enfeites de cabeça em caixas.

E não é só Viviane Araújo que pretende guardar a roupa usada este ano. A rainha de bateria da Vila Isabel e Miss Brasil 2007, Natália Guimarães, declarou momentos antes do Desfile das Campeãs que planeja "roubar" parte da fantasia. "No ano passado, eu 'roubei' a parte da cabeça. Este ano, ainda estou pensando o que pegar. Eu vou 'roubar' alguma peça para deixar de recordação", declarou, rindo. No entanto, Natália precisa devolver as peças feitas pela escola, pois elas devem ficar em exposição durante todo o ano na quadra da agremiação.

A atriz Paola Oliveira, rainha de bateria da Grande Rio, também tem que entregar seus enfeites para a escola, já que os recebeu apenas para o desfile. "Eu tenho que devolver e a escola decide se recicla ou não. Geralmente, o material mais caro é reaproveitado no ano seguinte", destacou.

Outra maneira de não "perder" as fantasias é com a organização de leilões. Preocupada com o futuro da Império Serrano, a atriz Quitéria Chagas optou por fazer isso com o modelito que usou na avenida e vai investir o dinheiro na agremiação, rebaixada para o Grupo de Acesso. A atriz, que desfilou à frente dos ritmistas pelo quarto ano consecutivo, vestiu uma fantasia de ouro e esmeraldas, cedidos pela joalheria Tereza Xavier. Já nos outros anos, Quitéria devolveu as peças para a escola. "As penas são caras e é ecologicamente correto reutilizá-las. Os cristais também são muito caros, então, costumam ser devolvidos à escola para serem reaproveitados".

Quem também deve arrecadar dinheiro com a fantasia é Ellen Rocche. "Sempre faço um leilão e reverto o dinheiro para instituições de caridade. Mas antes reformo as peças". A modelo, que já desfilou três vezes como rainha de bateria da escola de samba paulistana Rosas de Ouro, vestiu um modelito no valor de cerca de R$ 20 mil, sendo R$ 5 mil só de penas. Porém, a roupa foi paga pela própria agremiação. O envolvimento de Ellen com o Carnaval é tão grande que para ela a primeira fantasia tem um valor especial. "A primeira eu guardo com o maior carinho, como um troféu."

Enquanto isso, Juliane Almeida, estreante à frente da bateria da Viradouro, ainda não sabe qual será o destino de sua roupa de cerca de R$ 20 mil, mas acredita que será reaproveitada para a produção de uma nova fantasia. "Dá para aproveitar as penas, as pedras, o vestido. Já as fantasias que usei quando desfilei na escola Paraíso de Tuiuti, em 2004 e 2005, guardei de recordação no sótão da minha casa."

(Colaborou Nívea Souza)

Redação Terra
 
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